PÁGINA INICIAL RÁDIO VIP VIP TV ARTIGOS CANAIS YOUTUBE CASOS E ACASOS

Páginas

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

A história do Valdetário de 'carne e osso'



O assaltante que irrompeu o sertão nordestino, desafiando a polícia e espalhando o medo por todo o RN completa 10 anos de morte na terça-feira (10). A história deste homem, Valdetário Carneiro, ganha as livrarias do estado na mesma data. A obra, “Valdetário Carneiro: A essência da bala”, é de autoria dos jornalistas Paulo Nascimento e Rafael Barbosa, publicada pela Editora Tribo.

Os feitos criminosos espetaculosos deram a Valdetário Carneiro o estigma de mito. Enquanto estava vivo, se ouviam histórias do bando comandado por ele em todo o Nordeste. “Valdetário foi vestido de uma personalidade de onipresença. Por exemplo, enquanto ele assaltava um banco no interior do Piauí, alguém dizia que o viu em Olho D’água dos Borges, no Alto Oeste do RN”, esclarece Barbosa.

“Não queria ser o que fizeram de mim”

Para os autores, uma das maiores surpresas que o processo de apuração do livro trouxe foi a maneira pela qual Valdetário assumiu a vida de crime. Uma injustiça teria  transformado o pacato mecânico em um criminoso perseguido pelas polícias de vários estados do Nordeste. Valdetário foi preso injustamente e cumpriu quase cinco anos de reclusão. “Há controvérsias acerca de sua culpa neste primeiro delito. Mas ele foi inocentado este ano pela Justiça”, lembrou Rafael Barbosa.

Essa fase da vida do protagonista é abordada pelos autores no segundo capítulo, intitulado “Eu não queria ser o que fizeram de mim”. A frase foi dita por Valdetário em uma das entrevistas às rádios difusoras do interior.

A fama de Valdetário ia além dos crimes que ele cometia. Apesar dos assaltos e homicídios comandados por ele, havia também quem o tivesse como herói. “Por escolher como alvo os bancos e defender os pequenos produtores sertanejos, ganhou o apreço de muita gente”, adiantou Paulo Nascimento.

É por conta dessa empatia que a morte do assaltante comoveu a milhares de pessoas. Uma multidão em Caraúbas acompanhou o seu velório. Ao mesmo tempo, era uma preocupação a menos para os órgãos de Segurança Pública do Estado.

A forma como ele foi morto também se deu em um episódio com distintas versões. No dia 10 de dezembro de 2003, com a casa cercada por policiais, Valdetário foi atingido por disparos de arma de fogo, que o levaram à morte. “Cada uma das testemunhas narra de forma diferente os fatos. Mas isso nós só contamos  no livro”, brinca Rafael Barbosa.
Casa onde Valdetário foi morto. Há dez anos, nunca mais foi ocuparda
A saga Benevides Carneiro já foi tema de livro

O primeiro livro que abordou as disputas envolvendo a família Carneiro foi escrito José Viana Ramalho, “Dudé”. Impresso a primeira vez em —-, teve reimpressão em ——. “A Saga Benevides Carneiro” conta de forma cronológica o surgimento do clã no Rio Grande do Norte e a história dos familiares mais conhecidos.

O envolvimento em crimes por parte de alguns membros da família também é abordado. Valdetário é citado na obra, mas de forma breve, bem como seus parentes. A Saga Benevides Carneiro é uma espécie de árvore genealógica em forma de livro, que entrelaça seus personagens.

Dudé Viana é membro da família, e traz um olhar de quem viveu as histórias de perto. Conhecidos por assaltos e crimes atrozes, os Carneiro são desmistificados no livro do primo Dudé, que buscou contrapor a fama sanguinolenta da família com os casos de parentes bem sucedidos e que vivem longe da vida criminosa.

Uma tribo de jovens escritores


Surgida da vontade de tirar as ideias do papel, a Editora Tribo é um coletivo de escritores, jornalistas e artistas que desenvolve projetos e publicações em sistema colaborativo.
A parceria entre Tribo e os repórteres que contaram a história de Valdetário nasceu ainda na universidade, como a ideia de fazer o livro. “Decidimos que publicaríamos nossos trabalhos de conclusão de curso, que não os deixaríamos morrer nas gavetas”, conta Themis Lima, fundadora do selo.

Quanto aos autores, Paulo Nascimento é o mais jovem da dupla. Com apenas 22 anos, levou os últimos três no ofício do jornalismo. Já passou pelos jornais Diário de Natal, Tribuna do Norte e, mais atualmente, Novo Jornal.

Rafael Barbosa é um jovem repórter de 23 anos. Trabalhou no jornal Tribuna do Norte, no Diário de Natal e no portal de notícias G1.
(Tribuna do Norte)

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Deixe o seu comentário