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quarta-feira, 4 de março de 2015

Coluna A Tarde: Por que o impeachment?

Não me parece sensato, correto, nem minimamente inteligente falar-se em manifestação favorável ao impeachment da presidente Dilma Rousseff, como a que está prevista para o dia 15 de março. O País tem uma nova democracia que está a se consolidar, uma Constituição moderna, mas o impeachment nela previsto não é para uso e abuso e, sim, para situações de extremas dificuldades e crises, senão tentativa de golpe.

Não é, portanto, um instituto para ser usado como forma para o enfrentamento de dificuldades resultantes da inoperância e incompetência de um governo que, embora responsável pelo que ocorre, foi eleito ainda anteontem para um segundo mandato. O erro está na reeleição, que deve cair com a reforma política, pelo menos é o que se espera. As manifestações são válidas para protestos democráticos, para exigirem-se mudanças, e não para derrubar governo, como esta que se prepara.

Um dos grandes problemas brasileiros reside no sistema partidário, que está a desmoronar com o número extravagante de legendas. Sobretudo, com resultante desta realidade a depravada corrupção que os partidos comandam impregnando os Poderes da República, principalmente o Executivo e o Legislativo. Daí a se espraiar para as instituições de maneira geral, pela ocupação política dos cargos importantes das estatais e do setor público (quase sem exceção) que acabam por contaminar a República. Enquanto isso, o povo, boa parte incivilizado e iletrado, fica à margem. Distanciado do que se passa mal remunerado e sem noção do que ocorre por falta de formação. Boa parte, à sombra de políticos e neles votando, engabelado por mentiras, na esperança de obter, também, algum benefício, o menor que seja. Assim se forma o povo brasileiro.

A consequência é óbvia. A corrupção é inoculada também na população, com exceção reduzida, que passa a sonhar com a esquecida Lei de Gerson, embora atualíssima: a expectativa de se levar vantagem porque não há a menor dúvida de que ela está entranhada, com origem na classe política. A população assim se forma, com exceção daqueles que vivem ou vegetam na extrema pobreza. Ou quase isso. De certo modo, é justamente nesta faixa da população carente que os brasileiros na miséria absoluta têm vergonha de levar vantagem, ou de atropelar os seus iguais. Sentem-se irmanados na pobreza não sabem sequer o que é levar vantagem.

País complicado. Nas capitais e grandes cidades, afora os ladrões e corruptos da alta classe que circulam em torno do poder, eleva-se a classe que se insurge contra a vida que a eles é reservada desde os primeiros passos. Daí desvia-se para a prática de crimes, o roubo, o tráfico comandado pelos mais informados, entranhado na periferia, mas, também, tais traficantes abastecem os bacanas da classe média, média alta, e alta. Está aí um Brasil traçado em letras de meros três parágrafos. Trata-se, portanto, de uma grande distorção social que se alinha à pobreza e que é oriunda de uma formação desorganizada e perversa da sociedade brasileira. 

Deixando à parte a sociologia e retornando à política, o que se projeta para o dia 15 de março é mesmo consequência de um governo pífio que alimenta os partidos políticos, aliado da corrupção, lambuza o Congresso Nacional distorce-o e de certo modo amiúda o PT, que se imaginava eivado de esperanças e hoje é decadente. Revela-se, vê-se, igual ou pior às demais legendas, principalmente no item corrupção que começou lá no mensalão e agora explode com o assalto político-empresarial da maior estatal brasileira.

O próprio Partido dos Trabalhadores está dividido diante da situação. A presidente não tem como se explicar- e nem sabe como fazê-lo por ser prepotente - tamanhas foram as mentiras utilizadas, principalmente no ano passado, quando a economia começou a rodopiar, e os eleitores, enganados, não tiveram o exato conhecimento, como consequência do marketing mentiroso.

Os partidos políticos, insisto, são organizações tortas e corruptas. O que fazer senão o povo retornar às ruas, não para exigir o impeachment, mas para um protesto amplo, de milhões de vozes, em mais uma tentativa de passar o Brasil a limpo? Manifestações com estes propósitos, como é do conhecimento, foram muitas. O que sempre acontece como resultado diante da sublevação popular são montanhas de mentiras. Ao invés de limpeza, a sujeira se alastra. O Brasil vai muito mal. Transformou-se num país-decepção diante do mundo.

(Por Samuel Celestino)

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