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segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

Colapso venezuelano

Indico a leitura deste editorial da Miriam Leitão. Não é a toa que o PT tenta, a todo o custo, desqualificar a jornalista de economia, embora as suas projeções, mais cedo ou mais tarde, acontecem. É preocupante porque o Brasil é parceiro comercial da Venezuela. É preocupante porque o governo do PT é aliado e mancomunado com o governo venezuelano. Vejam o editorial:
A crise venezuelana não está apenas piorando. O país está perto do colapso, de uma ruptura, a ponto de o jornal “Financial Times” ter dito que o default era a melhor opção. A Suprema Corte considerou que o presidente Maduro pode declarar emergência econômica mesmo após a rejeição do decreto pela Assembleia. Isso dará a ele poderes ditatoriais sobre uma economia que Maduro e Chávez arruinaram.
Os economistas dizem que a recessão venezuelana só é comparável a períodos de guerra ou catástrofe natural. No mês passado, o BC do país anunciou uma queda de 7,1% no PIB do terceiro trimestre de 2015, depois de ficar dois anos sem divulgar indicadores. Mas o cálculo dos economistas é que o país teve uma recessão de 10% no ano passado e encolherá outros 8% este ano. A inflação foi a 141% e, como o Banco Central tem financiado o Tesouro com emissão de moeda, deve chegar a 200%. O decreto de emergência econômica dará a Maduro o poder de expropriar bens e empresas, intervir em qualquer companhia, obrigar fábricas a aumentar produção, acessar qualquer fundo extraorçamentário. É uma tirania econômica de quem foi o responsável pela calamidade.
A queda do preço do petróleo piorou tudo, mas não foi a causa da crise. O economista venezuelano Ricardo Hausmann, ex-ministro do Planejamento e professor de Harvard, em recente artigo, contou que, em 2012, quando o barril do petróleo estava em US$ 103, e o país tinha superávit comercial forte, o governo do então presidente Hugo Chávez teve um déficit público de 17,5% do PIB; “uma cifra demencial”, para usar a expressão de Hausmann.
Se os chavistas fizeram isso na abundância, imagina na escassez. Com a queda do petróleo, as exportações despencaram 60% em três anos. E o déficit primário é estimado pelo FMI em 21% do PIB este ano, indo para 25%. Com a falta de dólares, as importações foram reduzidas e isso agravou o desabastecimento que sempre houve no governo chavista. Faltam alimentos, remédios e insumos para a produção. No mercado paralelo de câmbio, o bolívar sofreu desvalorização de 90% em relação ao dólar nos últimos 18 meses. O temor dos investidores, neste momento, é que o governo não consiga honrar o pagamento de sua dívida este ano, em torno de US$ 10 bilhões, e por isso a Venezuela é o país com maior risco soberano no mundo, pagando um diferencial de juros de 36% em comparação com os títulos do governo americano.
Hausmann teme por uma crise humanitária de grandes proporções. Sem acesso a crédito internacional, e com o setor privado desmobilizado depois de 17 anos de perseguição pelos governos chavistas, o economista acredita que a melhor saída para diminuir a crise é o país fechar um acordo com o FMI. Mas isso seria impensável na administração de Nicolás Maduro.
O economista Sérgio Vale, da MB Associados, classifica a situação atual na Venezuela como de uma economia em estado de guerra, sem estar em guerra. O chavismo passou quase duas décadas se financiando com a alta dos preços do petróleo, que tapava o buraco nas contas públicas e também mantinha sob controle as transações correntes. Com a queda dos preços do barril, a economia desmoronou.
— A crise é basicamente fiscal e cambial, e elas se realimentam. Para o Brasil, a maior complicação é o efeito nas empresas que atuam lá ou exportam para lá. Não é o melhor lugar pra se fazer negócio neste momento, pois o risco de calote tende a aumentar — afirmou.
Desde 2001, o Brasil tem tido superávits comerciais com a Venezuela. No ano passado, o número foi positivo em US$ 2,3 bilhões. Dos US$ 2,98 bilhões exportados pelo país, mais da metade foram produtos industrializados. Ou seja, as restrições de importação dos venezuelanos são mais uma notícia ruim para a nossa indústria. Mas o pior é sequer receber pelo que vendeu.

O grave, contudo, é a situação dos venezuelanos. A composição da Suprema Corte foi mudada um pouco antes da posse da nova Assembleia com juízes ligados ao governo. Agora, ela dá uma interpretação que derruba a decisão da Assembleia de rejeitar o decreto de emergência. Com ele, Maduro terá superpoderes num pais à beira do colapso.

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