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domingo, 27 de março de 2016

Chico Buarque, o capataz de liberdade de expressão, volta a dizer besteira



Chico Buarque está velho. Não me refiro a seus quase 72 anos. Está moralmente velho. Tem a idade e a atualidade da vertente cultural do stalinismo. Num país com uma elite intelectual um pouco mais preparada — e aí incluo a imprensa —, seria tratado só como uma caricatura ridícula de um passado que não quer passar. E, claro!, as boas músicas que fez — só as boas — seriam preservadas, inclusive de si mesmo.

Todos já conhecem o episódio que envolveu o autor e diretor Cláudio Botelho, que dirige e protagoniza a peça “Todos os Musicais de Chico Buarque em 90 minutos”. Numa apresentação em Belo Horizonte, Botelho pôs um caco no texto com críticas a Dilma e Lula, os petistas da plateia se revoltaram e impediram o espetáculo de continuar, e Chico cassou a autorização para Botelho usar as suas letras.

É evidente que o episódio é vergonhoso. A ser assim, qualquer grupo militante impedirá o prosseguimento de um espetáculo sempre que julgar que sua causa foi ofendida. É a pior de todas as censuras, porque não há nem lei que possa regulá-la. Sobram só o arbítrio e a idiossincrasia. Chico se alinhou com a censura dos vândalos.

Botelho incialmente se revoltou com a reação estúpida do público. Depois pediu desculpas a Chico Buarque, que as aceitou e disse que vai considerar as escusas ao reavaliar se libera ou não a sua obra. Que homem generoso!

Achando que o vexame não estava de bom tamanho, o defensor de censura a biografias soltou a seguinte nota ridícula: “Esta mensagem é para aqueles que tentam classificar de censura o legítimo direito, amparado por lei, de um artista autorizar ou desautorizar o uso de sua obra segundo os seus próprios critérios. Qualquer pessoa tem o direito de defender opiniões políticas antagônicas às de Chico Buarque, assim como ele tem o direito de impedir que estas ideias sejam associadas às suas canções. Foi seguindo este princípio que, durante o governo Médici, o artista protestou contra a utilização de ‘A Banda’ como fundo musical de uma propaganda do Exército”.

Então vamos desmontar esse apanhado de tontices. Ninguém questionou o direito que tem Chico sobre sua obra. Libere o que quiser. Impeça o que quiser. Ele tem a prerrogativa, inclusive, de apelar ao filtro ideológico. Para mim, a propriedade é um direito sagrado. Quem diz não acreditar nesse fundamento é o socialista do eixo Leblon-Paris.

Jamais questionei esse ponto e ignoro que outros o tenham feito. A censura do senhor Chico Buarque não está em cassar a licença de uso de sua obra, mas em ter endossado, com esse ato, a brutalidade daqueles que impediram um espetáculo de continuar porque se sentiram ofendidos por um artista.

Se Chico tivesse um pouco mais de prudência ou de vergonha, ou ambas, lembrar-se-ia de que ele e sua família tiveram de deixar o Brasil porque, à época, havia pessoas que se julgavam no direito de agir como agiram aquelas que impediram a continuidade do espetáculo em Belo Horizonte. A diferença é que os que perseguiram Chico Buarque eram chamados de “direitistas”, e os que, com seus zurros, impediram o espetáculo de Botelho são de esquerda.

Não só isso. Comparar o veto à utilização de “A Banda” pelo Exército, em plena ditadura, com a suspensão da licença do uso de sua obra em pleno regime democrático seria de uma estupidez única não fosse a má-fé. Corresponde a não saber a diferença entre ditatura e democracia.

E é certo que Chico sabe. Ele não é um admirador de Cuba porque considera aquilo uma democracia. Ele gosta é justamente da ditadura.

PS – Uns tontos vieram torrar a minha paciência: “Você se solidarizou com Botelho e criticou o Chico, e o ator pediu desculpas…”. E daí? Botelho que cuide dos seus assuntos. Não tenho nada com isso. Eu cuidei aqui foi da liberdade de expressão e repudiei os milicianos que interromperam um espetáculo, sob o aplauso de Chico Buarque.
(Por: Reinaldo Azevedo)

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