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quarta-feira, 30 de março de 2016

Pesquisadora alerta que Juazeiro da Caatinga está fortemente ameaçado por praga



O juazeiro, uma das mais importantes e bem distribuídas espécies nativas do Semiárido brasileiro, encontra-se seriamente ameaçado por uma praga de fitófagos (invertebrados que se alimentam de vegetais e atingem diretamente a seiva da planta). A afirmação é da pesquisadora Alecksandra Vieira de Lacerda, do Centro de Desenvolvimento Sustentável do Semiárido, da Universidade Federal de Campina Grande (CDSA/UFCG), com base em resultados de pesquisa realizada com população de juazeiros dos ecossistemas da microrregião do Cariri Ocidental paraibano.

A pesquisadora que coordena o Laboratório de Ecologia e Botânica do CDSA e lidera o Grupo de Pesquisa em Conservação Ecossistêmica e Recuperação de Áreas Degradadas executou, com sua equipe, um rastreamento e coleta de várias amostras de juazeiros para análise e identificação das causas e consequências do ataque dessa praga. Já foram realizadas a coleta e análise de 70% das amostras de juazeiros do Cariri Ocidental e encontra-se em fase de conclusão os 30% restantes.

Denominado cientificamente de Ziziphus joazeiro Mart., o juazeiro pertence à família botânica Rhamnaceae, apresenta-se como árvores de 4 a 5 metros altura, possui espinhos com ramos tortuosos, castanhos a acinzentados; as folhas são ovais e as flores são pequenas com pétalas em formato de conchas. O fruto é de coloração amarelo pardo, sendo comestível, doce, com elevados teores de vitamina C e com uma única semente.

Impactos da praga
Os fatores de frequência do ataque dos fitófagos em relação à população de juazeiros indicam uma forte preocupação com esta espécie dos sistemas ecológicos do Semiárido. “Estamos apreensivos com os fatores que ocasionam um claro desequilíbrio nas relações planta-animal dos ecossistemas, os quais estão atingindo e podendo levar à redução da biodiversidade e das respectivas escalas de produção econômica dependentes dos recursos biológicos”, reflete a pesquisadora.

Popularmente conhecida como Juá, a árvore é uma das espécies-chave para o desenvolvimento regional e seu comprometimento acarreta diversos prejuízos em termos ambientais, científicos e socioeconômicos. Na dimensão ambiental, considera-se que o juazeiro é uma espécie que exerce um papel funcional de extrema relevância no que se refere ao equilíbrio dos ecossistemas, sobretudo por meio do fornecimento de energia para a fauna. Assim, sua redução populacional ou o seu desaparecimento pode provocar impactos negativos em ordem crescente e em escalas cumulativas.

No âmbito científico, considerando o cenário atual da pesquisa e sua relação com a descoberta dos potenciais da biodiversidade e seus valores ecossistêmicos, ressalta-se que perdas ou reduções de populações, a exemplo do juazeiro, irão definitivamente gerar enormes prejuízos em função da geração de dados para os pesquisadores que se dedicam a eixos temáticos como a biologia da conservação e a dinâmica de populações nos sistemas ecológicos do Semiárido brasileiro.

Na dimensão socioeconômica, o juazeiro se reveste, no cenário atual, como detentor de grande potencial a ser explorado para a geração de renda e melhoria das condições de vida das pessoas. Os frutos do juazeiro, do tamanho de uma cereja, são comestíveis e utilizados para fazer geleia, além de possuírem uma casca rica em saponina (usada para fazer sabão e produtos de limpeza para o cabelo e os dentes).  É hábito comum entre alguns agricultores e agricultoras do Semiárido brasileiro raspar a casca do juazeiro como estratégia barata e eficiente para substituir o creme dental na higiene bucal, o que revela o potencial da árvore para exploração industrial nesse ramo. Desta forma, os impactos negativos que atingem esta população podem significar perdas relevantes nesta dimensão.

Potencial econômico
Esta espécie endêmica da Caatinga apresenta grande potencial econômico, podendo ser utilizada como ornamental, na medicina popular, na fabricação de cosméticos e na alimentação de animais. Na medicina popular é utilizada como expectorante, no tratamento de bronquites e de úlceras gástricas; na fabricação de cosméticos, é utilizado para produção de xampus anticaspa e creme dental (o seu uso em xampus se deve à presença de saponinas em várias partes da planta); na alimentação de animais, é usado principalmente nos períodos de estiagem. Suas flores são importantes fontes de recurso alimentar para abelhas indígenas sem ferrão da tribo Meliponini, as quais são utilizadas na meliponicultura, sendo atividade alternativa de renda para produtores de algumas áreas de Caatinga.

Apesar da grande utilidade, a exploração do juazeiro se limita ao extrativismo e são poucos os conhecimentos capazes de contribuir para o desenvolvimento tecnológico da cultura. Segundo a professora Lacerda, os dados são preocupantes, uma vez que são diversos os fatores que estão ocasionando desequilíbrio nos ecossistemas, atingindo e podendo levar à redução da biodiversidade e das respectivas escalas de produção econômica dependentes desse recurso biológico.

Conservação
As análises estão em andamento e os apontamentos alertam e direcionam para a importância de se assumir um compromisso dos atores sociais com a biodiversidade regional, garantindo fatores de conservação para se gerar um desenvolvimento pautado nos princípios da sustentabilidade, revertendo esse problema de grande escala.

Inicialmente, tem-se que investigar a amplitude do problema sequenciado com a definição das causas e consequências e isso muito bem relacionado com os condicionantes que envolvem as relações planta-animal. “O conhecimento gerado irá definir fortemente as estratégias de conservação desta população de referência dos ecossistemas do Semiárido brasileiro. Vamos todos numa ação coletiva proteger a nossa riqueza biológica, faz-se necessário garantir a existência do juazeiro”, alerta Lacerda.
Texto: Catarina Buriti (Ascom do Insa)

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