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terça-feira, 27 de agosto de 2019

''Eu não quero mais mentir para mim mesmo'': ministro francês do Meio Ambiente se demite em protesto à ações inadequadas de Macron



Entregando uma ampla crítica sobre como o governo francês do presidente Emmanuel Macron falhou em abordar a crise climática global e assuntos relacionados, o popular ministro do Meio Ambiente, Nicolas Hulot, anunciou sua demissão ao vivo, no rádio, na terça-feira, declarando, "não quero mais mentir para mim mesmo".

"Não quero dar a ilusão de que a minha presença no governo significa que alcançamos os padrões nesses assuntos, então estou tomando a decisão de deixar o governo", disse Hulot, ao passo que os radialistas da France Inter responderam, "você está falando sério?" Ele estava, de fato.

"Batalhamos para manter um modelo econômico que é responsável por todos esses desequilíbrios climáticos", disse Hulot, que foi tido como um dos membros mais queridos do gabinete e o "melhor ambientalista da França".

"Começamos a reduzir o uso de pesticidas? A resposta é não. Começamos a parar a erosão da biodiversidade, a resposta é não", ele continuou. "Estamos falando de pequenos passos, e a França ainda faz mais que muitos países, mas esses passinhos são suficientes?... A resposta é não."

O ex-ministro disse que foi a "a decisão mais difícil da minha vida", e explicou que tomou a decisão "durante o verão", citando "uma acumulação de decepções" e que se sente "sozinho" no esforço por melhoras na política ambientalista.

Como reportou o Guardian:

Hulot anunciou sua saída depois que o governo disse que iria relaxar nas leis de caça, uma medida com objetivo de ampliar a atratividade de Macron nas áreas rurais, mas vista pelos ambientalistas como a favor do poderoso lobby da caça.

Com as mudanças, as licenças para caçar seriam mais baratas e mais espécies poderiam ser mortas, o que gerou indignação entre os defensores dos animais. Hulot disse que os lobbies têm muito poder no governo francês.

As diferenças de Hulot com o governo foram expostas recentemente. Ele já estava decepcionado quando o governo recuou na missão de reduzir a dependência em energia nuclear para 50% do mix de energias do país até 2025.

Ele também buscou por um banimento legal do controverso glifosato que mata ervas daninhas mas foi rejeitado pelo ministro da Agricultura, que preferiu negociar diretamente com fazendeiros e a indústria.

A EuroNews apontou que "ter uma personalidade popular em seu gabinete foi um triunfo para Emmanuel Macron, que conseguiu as credenciais de líder ecológico", mas "12 meses depois, os ambientalistas começaram a questionar o papel de Hulot e o comprometimento do governo com a causa".

A saída repentina de Hulot, notou o Guardian, "é um baque enorme para Macron e põe em questão a credibilidade do presidente sobre o meio-ambiente". O ex-ministro disse no rádio que não avisou Macron ou o primeiro-ministro Edouard Philippe, o que um porta-voz do governo rapidamente ridicularizou como falta de "gentileza básica".

Mesmo Macron tendo recebido louvores por ações pequenas – como o "Torne o Nosso Planeta Melhor Novamente" que veio em resposta à decisao do presidente Donald trump de deixar o acordo climático de Paris – como escreveu Juliette Legendre para o Foreign Policy In Focus em junho, o primeiro ano de Macron no cargo "provou que ele é…. Um neo-liberal antiquado e direitista determinado a reformar o título de modelo social duramente conquistado pela França sob o pretexto de emancipação e modernismo".

Macron "teve alguns discursos bons" e enfrentou Trump sobre assuntos climáticos, disse Jean-Francois Julliard, diretora do Greenpeace França, à Reuters, mas ele "nunca tornou as palavras em ações concretas" em sua pátria.

"Ainda não há política de transição de energia na França", ela disse.


*Publicado originalmente no Common Dreams | Tradução de Isabela Palhares

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